O achado de quem leu até o fim
Secos e molhados
Nos armazĂ©ns portugueses e depois nos brasileiros, os comerciantes separavam a mercadoria em dois livros: fazenda seca cobria tecido, louça e ferragem, e fazenda molhada cobria azeite, vinho, vinagre e bacalhau salgado. Era uma divisĂŁo de escrituração e de imposto alfandegĂĄrio, nĂŁo de qualidade. VocĂȘ reconhece o par hoje na placa de qualquer mercearia antiga: armazĂ©m de secos e molhados, nome que sobrevive sem que o cliente saiba que molhado ali queria dizer lĂquido vendido a granel, nĂŁo comida fresca.
O DicionĂĄrio Houaiss registra o par secos e molhados como herança direta dessa separação comercial, a mesma fazenda do tecido vendido a metro dividida ao meio pelo estado fĂsico da mercadoria. A loja de bairro que ainda usa o nome carrega, sem perceber, dois sĂ©culos de livro-caixa colonial. Da prĂłxima vez que passar por uma, vocĂȘ vai saber que o seco e o molhado vieram do mesmo balcĂŁo que vendia a fazenda do rei.
Fonte: DicionĂĄrio Houaiss da LĂngua Portuguesa